GILBERTO FREYRE E A VIVACIDADE A SER PRESERVADA

May 14, 2018

 

Advogado dos pretos. Crítico de portugueses colonizadores no Brasil, Gilberto Freyre nos honra, em seu livro Casa-Grande & Senzala, com a vivacidade da energia a ser cultivada num Brasil cada vez mais potente em termos de civilização.

Os pretos já vinham com um estigma de que na África eram apenas dignos de serem vendidos pelos próprios compatriotas. Aqui “colocados”, o estigma piorava, mas eles fizeram o possível e o impossível para contorná-lo. No livro de Freyre, é possível apreender um certo esforço de “superação”. E até hoje, com maus-tratos de que alguns são testemunhas ou vítimas, e maus-tratos que alguns infligem, parecem sentir a necessidade de “ser melhor”, como se fossem diferentes da humanidade como um todo em função da raça.

No entanto, o autor reserva duas seções, em seu livro de 727 páginas sobre o Brasil colônia, diferentemente da unidade de tema de cada uma das outras três, as duas denominadas “o escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro” em que trata do relacionamento do escravo com o senhor, da negra ou mulata com o senhor, do modo como a negra e principalmente a mulata era tratada pela senhora branca como objeto de ciúme, e até inveja pela predileção que os senhores lhes destinavam. A qualidade da técnica, superior no preto escravo, e mesmo nele forro, porque os colonizadores se mostravam muito lascivos e deveras passivos diante das dificuldades da vida no Brasil da época.

Assim, Gilberto Freyre trata das dificuldades iniciais que os colonizadores tiveram com o solo; de como as nativas lhes ensinaram a lidar com a terra, inóspita para a agricultura com que eles estavam acostumados em Portugal; de como os nativos guerreavam; dos casamentos com nativas, por falta de mulher branca, além de outros aspectos que diferenciaram a colonização no Brasil da ocorrida em outras ex-colônias.

Reserva duas seções distintas nas quais trata das diferenças dos portugueses e dos nativos, permitindo concluir que, em relação aos colonizadores, os nativos serão os eternos homenageados pelo Brasil limpo, higiênico e hígido onde o temos hoje ou onde o poderemos ter no futuro. Aliás, limpeza, higiene e higidez que sequer a escravidão corrompeu, sequer os pretos depois da abolição se permitiram abandonar e que mesmo o conquistador acomodou, ou até mesmo, assimilou do conquistado.

Apesar de aparentemente extenso, o livro é apenas um pequeno quinhão de toda a vivacidade da vasta obra de Gilberto Freyre.

 

[In: Freyre, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. 51 ed. São Paulo: Global, 2006, 727 p.]

 

 

Please reload

Our Recent Posts

O GRANDE POETA EM NOME DA VIDA!

November 4, 2019

VILÃS E VILÕES!

October 23, 2019

Arthur de Lacerda e a Civilização Desnuda

September 1, 2019

1/1
Please reload

Tags

Please reload

 

©2018 by Pedra de Toque. Proudly created with Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now