O PRIMEIRO VOLUME DA HISTÓRIA SOCIAL DO BRASIL SEGUNDO CALMON

August 23, 2018

 

O Volume 1 – Espírito da Sociedade Colonial, da série de volumes de Pedro Calmon, História Social do Brasil, fala, entre outros aspectos dos princípios da colonização no Brasil, dO Letrado. E quem era o “letrado”, no fim do Século XVI? O segundo filho de famílias endinheiradas. Aquele que partia para Coimbra para bacharelar-se e descobrir a dimensão da pátria ao seu redor, entre as capitanias incomunicáveis daqui, e que pertencia também a ele. Era lá que se formavam letrados em safras cada vez maiores com o fito de avaliar o Brasil politicamente.

Reserva, ainda, uma seção que trata do “ciúme na colônia”. E chegava às últimas consequências a vingança pelo adultério. Os colonos feriam ou matavam o amante e a esposa, principalmente na Bahia, onde a escassez de mulher branca era maior, tendo sido o século XVIII o mais “pródigo” em assassinatos de amantes e uxoricídios.

A seção “O Tráfico” permite concluir que talvez a controvérsia em torno da escravidão persiste pelo fato de os próprios pretos terem vendido seus pretos, principalmente em Angola, que tanto representou o princípio como o fim do comércio de escravos. Se hoje pretos condenam brancos e brancos condenam pretos, o tino do debate pode repousar em que brancos e pretos foram culpados assim como inocentes, na colonização do Brasil; pois que os sobas angolanos e os comerciantes portugueses negociaram de maneira bilateral.

Na seção “A Independência”, do capítulo 16 (Fim da Era Colonial), ao reservar o momento de narrar D. João passando pelo Brasil, a abertura dos portos, os preconceitos da aristocracia, o enobrecimento de homens abastados (estes, porém, capitães-mores sertanejos, lavradores litorâneos, comerciantes endinheirados, etc.) através de títulos, patentes e comendas, Pedro Calmon afirma que “No princípio do século IV da vida brasileira, a independência política que eles sonharam havia de conservar o velho individualismo, a enérgica afirmação humana, o timbre histórico da iniciativa e da força livre do colono, que eram – no seu primitivismo agropastoril – o bem supremo.”. [p. 185].

Mesmo com toda a sua concisão, o historiador não deixa de eleger Aleijadinho como o “estupendo realizador da arte ultrabarroca”. A arte no Brasil não teria tido seu berço na “preocupação medíocre e miúda da realidade”. Vai além e descreve toda espécie de arte que funde as confissões nativas e católicas pelo Brasil afora, até concluir o capítulo 21 descrevendo a arte das Minas Gerais, que acaba por “trazer Portugal de volta”.

 

[Calmon, Pedro. História Social do Brasil. Vol. 1: Espírito da Sociedade Colonial. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 238 p.]

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