O BELO E O SUBLIME DE EDMUND BURKE

October 6, 2018

A obra do filósofo Edmund Burke, Uma Investigação Filosófica sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo, parte da consideração do gosto como a base da fruição do belo e do sublime e como propulsor das sensações de dor e prazer. Parte também da premissa de que a confusão nos gostos pode gerar desvios nessa fruição, os quais representam produtos de órgãos desarranjados e de gosto adulterado.

A beleza é “uma qualidade social, porque toda vez que contemplamos as mulheres e os homens […] somos tomados de sentimentos de ternura e de afeição por suas pessoas, gostamos de tê-las ao nosso lado e iniciamos de bom grado uma espécie de intim

 

idade com elas. […]”. Diz ainda Burke da beleza, na parte III: “beleza é aquela qualidade, ou qualidades, dos corpos em virtude das quais eles despertam amor ou alguma paixão semelhante”.

A propósito do sublime, é mesmo o terror que convoca suas bases. O oceano, por exemplo, é objeto de um grande terror, o qual é o princípio primordial do sublime. Em diversos idiomas, expressões de algum modo ou de outro relacionadas ao sublime, surgem com valores semelhantes: assombro, admiração, terror; medo; terrível, venerável; reverenciar, temer; espanto, atônito, etc.

Quanto à comparação entre as duas forças, os objetos sublimes possuem dimensões muito grandes ao passo que os belos são comparativamente pequenos; a beleza deve ser lisa e polida; o sublime, áspero e rústico; a beleza deve evitar a linha reta de maneira imperceptível; o grandioso condiz mais com a linha reta; a obscuridade não é bela; as sombras e as trevas são amigas do sublime. A beleza é fundada no prazer; o sublime – na dor.

A seguir, o autor trata da correlação da pequenez e da beleza. Uma espécie tem um grande poder de beleza quando suas qualidades são reunidas num objeto pequeno. A pequenez, simplesmente como tal, não é absolutamente contrária à ideia de beleza. “O beija-flor, tanto na forma quanto no colorido, não é superado por nenhum outro exemplar da espécie alada, da qual ele é o menor, e talvez sua beleza seja até realçada por sua pequenez”.

Nesta obra, sempre atual, Edmund Burke aborda, por fim, o fato de a poesia não ser uma arte imitativa como as outras. A poesia descritiva não imita, mas substitui a realidade. Não há imitação, e as palavras não têm nenhuma semelhança com as ideias que simbolizam.

[In: Burke, Edmund. Uma investigação filosófica sobre a origem do sublime e do belo. Trad. Enid Abreu Dobránszky – Campinas, SP: Papirus Editora da Universidade de Campinas, 1993. 184 p.]

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