OS AMARELINHOS DE AMANHÃ

April 20, 2019

 

A feminista branca entregou os pontos: oprime a preta e o preto, repassando a opressão recebida pelo branco.

O branco oprime apenas por ser branco – e ocidental. A branca é oprimida por ser secundária na sua condição de mulher e oprime por ser branca. O preto é oprimido pelo branco e pela branca por ser preto e secundário na condição de homem e oprime a preta. E a preta é oprimida por todos por ser preta e secundária na condição de mulher e de preta.

Que digo? Seria a preta a rainha do mundo, uma vez que oprimida por todos pode, subitamente, erguer-se como a opressora de todos em seu movimento oposto, como faz a branca no mimetismo do que sofre? Uma revanche?

Em épocas de defesa acirrada de direitos humanos, e de feminismo exacerbado de vitimização, podemos dizer que sim. Porque quem recebe tesouros, filhos, honrarias por ser covarde ou fraco ou oprimido tende a enriquecer nesses artifícios em relação a quem não é e não os recebe porque deles não carece, com eles não se preocupa ou não se importa. Do contrário, não seriam uns bravos ou uns fortes ou uns opressores naturais.

Nós, os amarelinhos, não participamos daquele jogo. Seria pedir demais para quem permanece com o espírito da guerra guerreando dentro de si. Ocupados consigo mesmos, os amarelinhos, miscigenados, de vez em quando, saem do ostracismo e observam essas coisas que foram ditas no café filosófico de domingo.

Mas imagina-se difícil mesmo a falta de contrastes. O ser tomado como alguém de uma só maneira, alguém de quem é esperado o comportamento exato no momento certo quando lida entre iguais ou com “opostos”, por ser desta ou daquela cor.

Nós amarelinhos estamos crescendo em número e, graças à natureza humana, não temos ninguém a nos oprimir nem ninguém a oprimirmos nos dias de hoje.

Apenas ficamos na defensiva, às vezes, para que essa guerra eterna não termine em agressões por sobre nós, que não temos quase nada a ver com isso. Não somos conciliadores, não somos pacificadores, tomamos partido ora destes ora daqueles, e não ficamos em cima do muro.

Estamos apenas observando até que um dia seremos a maioria. Disso a natureza se encarregará. Assim como colocou o branco como sendo o bom. Um dia o bom será o amarelinho, que a maioria, e nada poderá conter a opressão que esse aldeão global imporá aos que estiverem muito atrasados em termos de miscigenação.

Não haverá sexo, posição social, classe, casta, força física ou mental contra quem permaneceu atento ao mundo e a si mesmo em semelhante contexto. A tendência será a revanche dos amarelinhos pelo silêncio a que foram submetidos durante o jogo e a guerra das raças separadas, segregadas e opostas.

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