GUERRA DE CIVILIZAÇÕES

 

 

Nós somos expostos, em idade prematura, ao mundo ocidental. Para quê? Para nos deixarmos dominar, através das barganhas que ele nos propõe. Para aprendermos com ele a dominação. Para competirmos com ele frente às outras civilizações. Para pedirmos socorro no caso de incêndio em que não temos água armazenada para sua extinção, etc.

Apenas ocorre que durante o longo processo de exposição àquele mundo – dissuadimo-nos do nosso. Dispersamo-nos dos nossos problemas reais. Passamos uma grande parte da nossa vida longa comparando o estado da nossa civilização com o dele. Sem que essa comparação resulte em frutos para nossa criação, senão apenas em vagos momentos de macaqueamento e em deletérios excessos econômicos que nos mobilizam unicamente para o transporte ou armazenamento de mercadorias.

Permanecemos semeando, através de nossa ira, de nossa vociferação, de nossa indignação, as sementes cujos frutos se nos esvaem. Não damos continuidade aos nossos projetos porque tudo se torna inválido subitamente, tudo recebe interrupção de paradigmas novos que se sobrepõem tornando nossa obra ou muito estéril, que profusa ou confusa, ou muito vazia, de tão excessiva.

Não. Não vale usar o niilismo para explicar o que sentimos. A vontade do nada há sempre que ser superada por algo. Nem que seja um bom prato que há muito não saboreamos. Ou que nunca saboreamos. O mundo é esplêndido! A humanidade presta para muita coisa. E nos surpreende com suas manifestações repentinas e casuais.

O inaudito é um mistério que não vem apenas do outro. Pode ser uma piada cruel aprender com as próprias palavras. Mas, quem diz que essas palavras são nossas? Podemos encontrar o inaudito em nós mesmos. Nos nossos plágios de nós mesmos. No jogo de espelhos embaçados e numa viagem a nós próprios. Na observação de um olhar desconhecido. Na descoberta que fez um cientista, um artista ou um amigo.

Talvez seja essa perspectiva que nos mantém dispostos a vivermos e insistirmos no nosso projeto de vida. Gaio pode ser muito ou tudo. Assim como tristonho ou melancólico. Tudo dependerá das circunstâncias dos momentos que nos reservam os futuros possíveis.

Nós somos expostos e expomos nossos filhos aos heróis da civilização ocidental. Esses heróis envelhecem e morrem. E nossos filhos haverão de se tornarem os heróis da nossa própria civilização quando aprendermos a mantê-los concentrados nela e ela concentrada neles.

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