AINDA SOBRE O CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES

 

O outro dizia que “se não atentarmos para nossos reais problemas, nunca os resolveremos”. Tudo bem que o outro é meio hipocondríaco. Mas um pouco de prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém.

Eles estavam dizendo com o outro que nós somos de fato apenas rapazes latino-americanos sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindos do interior.

Como? Belchior já nos dizia isto em plena década de setenta, e ainda esta noite vejo o psicanalista dizendo que “na nossa civilização ocidental: BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ”. Com o quê, desligamos a TV e viemos para cá conversar. Afinal, pensamos, ele não deve estar falando conosco.

Por outro lado, também resistimos muito à nossa vizinhança. Sobretudo porque o pensamento e o costume ocidentais impregnam como carrapato em cão sem dono.

Mas, depois de tomarmos algum contato com o senhor Walter D. Mignolo, por exemplo, passamos a latinoamericanizar inclusive o nosso inglês.

Não é porque lemos Nietzsche (que de resto condena os alemães), Schopenhauer, Max Weber, etc. que nossa civilização é ocidental pela via alemã.

Não é porque comemos bígui méqui no chópem-center e jogamos a pelada na várzea calçadinhos de náiqui, que ouvimos Pínki Flóydi ou Björki cantando em inglês, etc. que nossa civilização é ocidental pela via estomacal, esportiva ou linguística anglo-saxônica, seja ela britânica ou norte-americana ou de outrures.

Não é porque ouvimos a rádio alouéti ou porque defendemos a sensualidade que nossa civilização é ocidental pela via francesa; nem italiana só porque nos entusiasmam as opiniões de Maquiavel.

Porquanto, além disso, o arrebatamento, o entusiasmo, o amor ou o ódio não são argumentos para nada.

E, finalmente, o que deve ter levado o psicanalista a nos dizer ocidentais devia ser a colonização lusitana. No entanto, aquela colonização pode e deve ser pronunciada no pretérito, não utilizada para forjar o nosso futuro. O contexto cultural, social, político, histórico de Portugal depois da guerra fria é totalmente diferente do brasileiro. Nossos vínculos são ínfimos, considerando que a língua ou a história não nos representam os sentimentos mais sinceros e profundos dos dias atuais no condicionamento de brasileiros.

Mesmo assim, juntamente com muitos latino-americanos, como Mignolo e Belchior – antes tarde do que nunca – ainda temos tempo de passar a limpo NOSSA CIVILIZAÇÃO LATINO-AMERICANA, separadamente, com toda a sua miséria e toda a sua grandeza. Principalmente quando disso depende a vitória nesta guerra nova.

Fora com o eurocentrismo! Abaixo o ocidentalismo na formação da cultura latino-americana! Leiamos os eurocentristas e ocidentalistas com luvas e ouçamo-los com protetores auriculares! Vivam os autores que escreveram, seja do ocidente, seja da África, numa tonalidade universal, no afã de externar soluções que podem servir para nós como latino-americanos e para outras civilizações que venham a estar tão incubadas como a nossa.

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