VILÃS E VILÕES!

October 23, 2019

 

Apesar de não apoiarmos este governo, nós somos conservadores natos. E apesar de não apoiarmos o PT, queremos o Lula Livre. Nascidos em plena ditadura, foi o que nos restou: o conservadorismo como o formador nos nossos aparelhos sociais; a prisão de Lula, não explicada claramente, nem justificada para nenhum cidadão razoavelmente inteligente; e, por fim, a tirania!

Víamos os que saíam dos protestos em fuga para nossos confins, e para os confins da periferia criminosa, e tácita no crime, e notávamos que eles não sabiam viver a vida. Lá eles falavam eloquentemente; aqui, não tinham interlocutores.

Enquanto estávamos como estrelas solitárias naqueles mesmos confins, onde sequer um soldado ousaria penetrar, os estudantes morriam nas ruas movimentadas em suas campanhas. Nós? Também éramos estudantes, mas, não protestávamos; nós só queríamos, só pensávamos em namorar; de manhã cedo, já estávamos pintados.

Se não fosse pela exigência de uma totalidade, a qual apenas teríamos, como país, se o Brasil fosse assolado por uma guerra fatal ou conquistado por outro, poderíamos arriscar em dizer que o mundo foi dos espertos naquele contexto citado.

Porque, vede, depois que conquistamos o que insistíamos em chamar “democracia”, nós fizemos poesia, nos embriagamos não só nos bares como também no teatro de periferia, nas artes visuais, no sexo da melhor qualidade.

Depois que estávamos quase “a pampa”, e era hora de casar, começamos a temer que aquela espécie de democracia tendia a se tornar, como afirmava Burke, pura tirania.

Avisávamos, pelos textos, gritávamos nossa poesia escrita no silêncio dos nossos sepulcros, tentávamos nos orientar e nos posicionar contra a cristantade que nos cegava, mas sempre atentos: isto virará “tirania”. O Burke, e não só, avisou. Como dizia aquele cantor baiano, estávamos mortos, mas ainda alegres.

Aqueles estudantes ingênuos, que curtiam a vida nos lugares mais badalados da cidade, que tinham uma grana que não era nem fruto do seu trabalho, que tinham suas mesadas, que não tinham se escravizado ao ponto de dizer de peito cheio: “o trabalho desonra!”, como nós dizíamos mesmo trabalhando.

Aqueles “jovens livres”, que não eram como nós, “condenados à liberdade”, passaram todo aquele tempo, que começou em 15 de março de 1985 (nós tínhamos apenas treze anos de idade) e terminou recentemente com as últimas eleições presidenciais, em vez de admitirem, assumirem sua liberdade com a responsabilidade de homens livres, passaram (pasmai, leitores) trinta e três anos “lutando” por uma democracia que já estava instituída desde 1985, como se não pudessem sacar os momentos em que ela mais inspirava, os momentos em que ela mais servia às liberdades individuais, sobretudo para a grande criação.

Nós usamos o verbo “assumir”… Que dizemos? “Assumir” para eles significava “sair do armário”, flertar o mesmo sexo, ou coisa que o valha, ao ponto de chegarem a contar com a própria Igreja apoiando um casamento homoafetivo…

Além dessa questão homoafetiva, miserável, começaram, também em função da virada de mesa das mulheres, que, talvez nem fossem mães, como a Simone de Beauvoir não era, começaram, nós estávamos dizendo, a “politizar o sexo”, o que culminou nisto de orientação sexual; o que nós, que, como já dissemos, somos conservadores, negamos em nome da “orientação social” constante da nossa interessante Constituição Federal, de 1988.

Tudo bem. Isto foi um fenômeno mais mundano do que brasileiro propriamente. Mas cremos que alguns países mais inteligentes e mais criativos não compraram idiossincrasias daquela espécie.

Façamos como o filósofo propõe: “demos filhos às mulheres”. Esta seria a verdadeira orientação social proposta na legislação citada. Veja que Sartre não deu filhos à Beauvoir. Talvez se lhe tivesse dado uns três diabinhos ou quatro, nada disto estaria em pauta neste livro tão gostoso.

Mas vede que os “especialistas” até estavam calculando “quantos eram os orgasmos a que se tinha direito conforme a população de um país.”. Para chegarmos a essa temeridade, foi necessário colocar muita coisa feia, feiamente feia, nas pautas jurídicas nacionais, e, já dizia o adágio que quem ama o feio, bonito lhe parece.

Sem falar que o corpo da mulher foi escancarado de tal forma que vendo por dentro nenhuma mulher é verdadeiramente linda, senão monstruosa como qualquer ser vivo.

Queremos crer que as feministas sejam uma exceção, e estas nossas falas são mais uma contribuição para que se mantenham excepcionais. Elas sabem muito mais do que nós e se vangloriam: “se não fossem por elas, muitos direitos nos teriam sido negados”. Mas o que elas parecem ainda não saber, ou fingir não saberem, é que há muita violência por trás de qualquer direito.

No entanto, nossa indignação com esse tipo de mulheres nos desvirtuou a conversa: nós dizíamos que aproveitamos largamente aquela mesquinha democracia que tínhamos até recentemente. Fizemos o nefando menos virar mais, aos trancos e barrancos, como dizia aqueloutro norte-americano defunto, cujo mais virou menos!

Agora, já aquietamos o facho, porque, chegou a última consequência de qualquer democracia: chegou a tirania! Seja bem-vinda, tirania, à arena de luta!

Antes de lutarmos, porém, carecemos de um rumo, que seria o nosso prêmio de vitória. Eu sugiro depormos o atual presidente, acreditarmos que o exército esteja mais inteligente, adulto e solidário, contarmos com e apoiarmos o vice-presidente, que provavelmente nos encaminharia a uma monarquia ou a uma república mais distinta do que esta!

E ah! Não nos esquecermos de soltarmos o Lula, pra ele ficar dando palestras e aprender a falar melhor, sem indignação, para que se possa contar a história dos ditos “pobres” no Brasil do futuro!

27/09/2019

Please reload

Our Recent Posts

O GRANDE POETA EM NOME DA VIDA!

November 4, 2019

VILÃS E VILÕES!

October 23, 2019

Arthur de Lacerda e a Civilização Desnuda

September 1, 2019

1/1
Please reload

Tags

Please reload

 

©2018 by Pedra de Toque. Proudly created with Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now