AS INTELIGÊNCIAS GAIAS DO HOMO-BRASILIENSIS

November 30, 2019

Faz dezesseis anos que o povo brasileiro dava as tripas para o último demagogo se enforcar. Ele devia ser eslavo, etrusco, lusitano — algum tipo que foge à verdadeira brasilidade brasileira.

O anterior ao demagogo, aquele oligarca, talvez conhecesse um pouco da nossa gente no que ela realmente é. Armou a cilada fatal das esquerdas que hoje se estrebucha e agoniza ante o caos da vida brasileira que balança mas não rui.

Quando não isto, ele próprio foi o precursor do amargor que se vive no dia de hoje.

Que amargor? Perguntam os ricos de “esquerda” e os pobres de “direita” a nós que estamos no meio de nós mesmos: perguntam, dizíamos nós, todos aqueles, que usam no dia a dia essas expressões, tornadas movimento corporal e até respiração, saudosos da guerra fria. Que amargor?

As notas que têm recebido nos últimos anos das suas provas de português e matemática no nosso eterno primário de caminho suave estão baixas.

Olha para o chileno, para o argentino, etc. — Soberbo com seus cocares e suas flechas. Cego. Quer conquistar. Aprendeu tanto os macetes das conquistas todas que reverberam por esse mundaréu, que agora só pensa em conquistar.

O Brasil quer conquistar. E é cômica a sua comunicação com as potências.

Brilham os seus olhos quando desconfia que está diante de algo nobre, muito nobre — e o segredo que os brasileiros descobriram é que para eles nobre é o que eles querem nobre e não o que lhes dizem sê-lo. E não se contentariam jamais com menos que isso.

Estão acostumados com o brilho do sol por sobre o mar e seus pássaros e sua flora e suas cores e odores. Sabem o que têm de seu. E observam que, assim como querem conquistar o conquistável, lutam para não serem conquistados por quem quer que seja — deixa de ser conquistável. Está feito. Adulto bastante. O Brasil está adulto, e quer casar.

Vamos dar a ele uma consorte. O homo-brasiliensis, desde o mais singelo das Minas Gerais até o mais desconfiado de São Paulo, para lembrar o Joaquim Maria, é um profundo, um intenso, um mental, que pensa muito antes de casar. Sabe muito bem que casar não é como comer cajá. Precisa acreditar que se nasceu muito bem — o que demora.

Sabe que quando a gente casa, vem a roda viva e carrega o destino para lá. Sabe que as mulheres são lindas como as de Atenas desde quando o Francisco Buarque de Holanda cantou a canção pedindo isso a elas. Já passaram de meninas, moças, mulheres, velhas de Atenas.

Finalmente o Brasil enforcou “o último demagogo com as tripas do antepenúltimo juiz”.

Agora cabem em suas conquistas as buscas pelos outros inimigos: os oligarcas. Esses são um pouco mais difíceis de enfrentar porque estão camuflados e infiltrados com os homens de bem; mesmo assim, o Brasil chega lá porque o demagogo era o mais defendido pelo povo nos tempos que corriam quando de sua expiração. E mesmo assim expirou.

Estejam, pois, prontos os oligarcas. Os senhores provarão do próprio veneno que estará na ponta das nossas flechas. Fiquem velhacos.

Que o homo-brasiliensis está amargo solteirão invicto querendo casar. Estão vindo muitas pretendentes refugiadas das supernovas do mundo porque sabem que ele está pronto, é lindo, pode dar muito filho gente, e filha gente, guardou alguns dentes na boca. É produtivo, criativo e procria bem. Prontíssimo para o altar, esqueceu como rezar, cantar, dançar e macumbar, mas vai ter de aprender tudo de novo, que sabe carnavalizar — e sabe também que carnavalizar dá no mesmo que … recomeçar.

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